Nasci inquieta e desejante, autónoma para aprender e desaprender. Curiosa aventureira, comunicadora convicta.
Criadora entusiasta de pensamentos, ideias e projectos. Arquitecta. Devota obstinada da beleza e do humor imprevisiveis.





6.1.14

04.




Há dias.
Convenhamos que há dias que parecem muito mais meses ou anos, que o próprio dia. Dias fartos. Há até dias que não parecem dias. Instantes talvez. Feitos de doce e cores tão efervescentes, de uma frescura primaveril, capaz de envergonhar o dia mais invernoso deste ou outro tempo qualquer. Há dias de alegria, outros de tristeza tamanha. Dias em si preenchidos, outros vazios com causa própria. 
Diz o ditado que também há mar e mar, há ir e voltar.

Hoje é dia dos que parecem anos. Infindável no tempo, no frio, no cansaço. Tão infinito quase como o trabalho que persiste, dia após dia. 
Mas aqui, de onde me encontro, onde se encontra o meu pensamento, é dia primaveril. É dia de calor, de sol a atravessar a janela e a paisagem verde e tudo o que pelo seu caminho se cruzar. É dia de fazer da refeição uma festa. Gargalhadas como prato principal, e sorrisos para sobremesa. 

Ao frio, ao sol que já se pôs, e à chuva que ameaça, mas sobretudo ao cansaço, e ao trabalho pendente apraz-me dizer que um dia não são dias. 
E hoje, este é um dia assim. 

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